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REFLEXÕES SOBRE O CORPO NA CONTEMPORANEIDADE

por Liane Zink

As concepções mais comuns da corporalidade caracterizaram-se por um pensamento mecanicista que dividia o conhecimento em partes estanques para dar conta do medo da desintegração.

Vivemos num tempo nunca antes suspeitado de infinitas possibilidades, na tentativa de sair de esquemas pré-concebidos para dissolver o dualismo mente – corpo.

A ciência, em vez de suavizar questões, reforçou projetos que criam um clima de tensão. O projeto Genoma Humano, o patenteamento dos "seres vivos" pelas grandes corporações da pesquisa biológica, os perigos nos avanços das clonagens de mamíferos, a crescente modulação da psicofarmacologia.

Vivemos na época da globalização, da queda do mercado econômico, da destruição e desorganização das velhas estruturas, dos velhos comportamentos para o surgimento de novos processos, novas estruturas.

"Vivemos a época da Analgesic Society".

Esta sociedade trata o consumo, a comida, a falsa alegria e o uso das drogas para desfocar os medos naturais e existenciais do ser humano, transformando-os em pânico, fobias, ansiedades crônicas, stress, desordens obsessivo-compulsivas.

O desenvolvimento embriológico e as mudanças aparentes evidenciam que o corpo, ao longo da vida, foi pensado somente a partir da perspectiva de informação contida nos genes.

A fisiologia é ensinada, é pensada de modo independente da Anatomia.

O comportamento não está relacionado com a Iiologia, a percepção é concebida como um processo físico e não uma atividade complexa do ser com seu ambiente diverso.

Dividido em aparelhos e sistemas, o homem afastou-se de si mesmo, da comunidade, do social. O corpo tornou-se antônimo da alma. Este processo foi lento, levou vários séculos, foi acontecendo em diferentes ritmos, seguindo diversos itinerários com distintas experiências.

Todo o tipo de pensamento passou pelo que chamamos de política da exclusão, que na modernidade assumiu a forma do Dualismo Cartesiano que separou o sujeito do seu corpo, e o Indivíduo da Comunidade.

Neste clima político, social e das Ciências, principalmente a do comportamento, foi se delineando a "crise da modernidade"

Ainda não sabemos o futuro, pois não sabemos a cara do que está emergindo, por isso denominamos este momento, de uma forma pobre de "Pós Moderno". Penso que denominar de Pós não traduz a impossibilidade de conceitualizar verdadeiramente, por agora a nova face que ainda não está formada. Creio que é importante reagir contra toda simplificação semântica, contra toda tentativa de homogeneização cultural (Edgard Morin).

A Biossíntese traz sua grande proposta a este contemporâneo "Integração da Vida" no aqui e agora, seguindo um fluxo do momento do acontecimento apoiando-se na Ciência, mas profundamente enraizada na crença do homem que se constitui em Corpo, Alma e Pensamento, integrado pelo sistema energético criado no Contato Amoroso.

A fonte do Ser, ou seja, deste homem contemporâneo, só pode ser pensada na sua origem, isto é, na relação da mãe com seu bebê dentro do útero.. Esta é a complexidade do momento.

Uma relação a dois que parece tão isolada no útero que devia ser acolhedor e quentinho, nunca ao contrário. Este útero é parte de um sistema que se conecta com outros sistemas até chegar ao Sagrado, e qualquer movimento que interrompa esta cadeia de acontecimentos e ligações causaria a doença e não a saúde.

Como então a Biossíntese trabalha esta situação da modernidade?

Primeiramente seu pensamento é ecológico, quer dizer, integrado com Gaia, a mãe terra. Trabalhando portanto com Educação e Prevenção, a Clínica Contemporânea não pode ficar longe da Educação, e é nesta direção que devemos seguir.

Temos três propostas nesta área:

  1. Prevenção à maternidade e à infância, trabalhar com grávidas e preocupar-se com o pré-natal.
  2. O problema da educação e criação das crianças – atendimento às questões da infância.
  3. A questão Reichiana da reforma social – o problema da repressão sexual que leva à falta de limites na sexualidade, e o desejo em si fica em segundo plano.
  4. A questão da reformulação social como um todo.

Por tudo isto quero dizer que a Biossíntese não trabalha somente em direção ao patológico ou que fique restrita aos consultórios.