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Supervisão com Liane Zink – Natal Julho de 2008. ( NOVO ARTIGO )

Liane Zink

Liane - Qual a principal dificuldade de vocês no atendimento?

São algumas as três principais:
1- Como fazer o fechamento do atendimento (relacionar o começo com o fim)?
2- Como intervir corporalmente (estamos trabalhando nisso mas ainda é difícil)?
3- Quando o cliente chega “batendo papo” fala muito mas não entra em contato com a emoção - o começo do atendimento é difícil.

Liane- Como em Biossíntese se encerra o atendimento?

O Boadella diz que ao iniciarmos uma sessão abre-se um canal de energia e ao término da sessão este canal dever ser harmonizado. Como fazer isso? Você no lugar do terapeuta vai encerrar dizendo trabalhamos o tema específico e dar um centramento e grounding para que o cliente não saia atuando, pode respirar fundo, colocar a mão no ombro do cliente, fazendo contato. Por exemplo, eu me levanto para dar um corte, quando você levanta e corta fecha aquele atendimento mas pede para que ele continue pensando na questão que ainda está em aberto, pede para que ele anote sonhos, prestar atenção em como se sente, que faça meditação a partir de um gesto espontâneo que apareceu durante a sessão.

Safra fala que na hora de encerrar a sessão quem morre é o terapeuta. E ele fica com a solidão e muitas vezes com a carga do atendimento.

A primeira fala é consciente é manifesta, mas o manifesto está sempre ligado a um discurso latente, é um fio vermelho que uma hora você vai ter que conectar , a procura do latente também no corpo, os movimentos mais espontâneos, do sistema involuntário.

Grupo- E como terminar quando o cliente é uma criança?

Liane- É dizer vamos começar a guardar as coisas que a gente usou...a criança até certa idade pode ter sensações de fragmentações , na passagem do Narcisismo para o Édipo é que ela vai se sentindo mais integrada, com uma imagem corporal mais inteira.Uma imagem corporal poderia ser o final do atendimento. Por isso é tão importante encerrar o atendimento com a criança, que ela pode participar desta ação entendendo limites.

A gente sai do narcisismo através da construção da auto-estima é o momento do herói - para ter identidade o ego faz a luta do herói, o ego tem que lutar com a mãe ( a mãe dragão que não deixa a criança ir). O self vai formando uma separação com a mãe na construção do ego.

Liane- Em relação ao cliente que chega “ batendo papo”...

É preciso entender se este discurso é só uma defesa narcísica de necessidade de compartilhar, a ferida narcísica. Vamos falar, da ferida narcísica, por exemplo, ódio da mãe, faço tudo para ser bom para ela olhar para mim. No adulto a gente vê as conseqüências deste desenvolvimento.
Quando ela fala que as coisas ficam na superficialidade o que é? Defesa para não mexer na ferida, está protegendo a ferida narcísica dela, é uma espécie de proteção para não acessar emoções muito doloridas.

As emoções narcísicas são grandiosidade, exibicionismo que envolvem medo, vulnerabilidade. As emoções que se instalam no Édipo são diferentes e são delineadas pela triangulação existencial, com pouco contato com o mundo subjetivo. As emoções Edípicas são exclusão, ciúme, competição.

Nas sessões de blá, blá, blá...pode ser vazio. Há pessoas que não acessam o self. Não tem angústia existencial (quem eu sou, o que eu quero), ficam portanto na imagem, esvaziados, ficam só ego enrigecido, não entra em contato com si mesmo. O que nós como terapeutas fazemos quando alguém se defende assim? Tem pessoas que são monotemáticas, são casca, são egóicas. A gente tem que tentar expandir essa pessoa, (ampliar a respiração, aceitar o discurso dela naquele momento). Como terapeuta nesse momento eu posso ser a possibilidade de uma mãe que pode dar suporte para a angústia, para que ela possa ter continência. No encontro consigo mesmo no lado avesso.

Se tenho uma cliente que parece uma cliente morta? Ela tem um vazio enorme entre no vazio, uma pessoa esvaziada você não deve preenchê-la, sem entender, porque ela vai continuar esvaziada, quanto mais você demonstra poder, vontade de preencher o paciente pode ter inveja de sua energia, a gente deveria agüentar o vazio dela, o paciente às vezes fica invejoso, te vampiriza e suga, quanto mais você faz. Temos que transformar a contra transferência em linguagem clínica, na contra transferência temos coração, é endodérmico. “ No silêncio existe uma grande intimidade, às vezes mais do que quando falamos”.

Liane – Em relação a intervenção corporal....em que momento entrar, como...parece que há nessa fala uma dissociação...vocês estão dissociando,sim. O corpo está o tempo todo no nosso inconsciente, a ferramenta é o corpo, o corpo nos leva ao inconsciente, quando afrouxamos as couraças as emoções aparecem. Não existe o momento da intervenção corporal. Ela está o tempo todo conectada com o discurso a intervenção faz sentido se ela flui junto com a mesma compreensão do processo.

Pulsão- drive, energia que começa no corpo e quer se descarregar num objeto- mesoderma a procura do objeto fora da relação pode trazer a descarga da energia caso contrário a energia se suicida, isto é volta para dentro, e o desejo fica aprisionado, a forma de expressar o desejo é o movimento. Freud falava que mesmo quando a pulsão vai para o mundo a gente não sabe qual é o destino dela (ou do movimento). Em Biossíntese procuramos o movimento que quer se relacionar com o outro e com o mundo ao seu redor.